10/Set/20

As operações logísticas internas e a competitividade das organizações: Case Sementes ROOS

Categoria(S): Videos

Confira a apresentação de Diego Schwalbert, gestor de planejamento e TI na Sementes Roos, sobre a implantação e os resultados do projeto de dimensionamento de equipamentos logísticos.

Por ser um conjunto amplo e complexo de atividades, a Logística traz diversos desafios às organizações, que muitas vezes sofrem com a falta de gestão na distribuição e na entrega de produtos, ineficiência e ociosidade dos equipamentos logísticos.

Visando melhorar a eficiência logística da empresa, a ROOS implantou um projeto de redimensionamento focado nos equipamentos, obtendo uma redução de mais de 30% da necessidade de empilhadeiras.

Este vídeo foi extraído do evento online "As operações logísticas e a competitividade das organizações". Clique aqui para assistir o webinar na íntegra. 

               

A empresa

A Sementes ROOS, fundada em 1963, é a maior sementeira do Rio Grande do Sul e uma das maiores do país, sendo a primeira no Brasil a obter a certificação ISO 9001 na produção de sementes.

A empresa, que produz sementes de trigo e soja, possui um centro administrativo e treze unidades de recebimento de grãos. Também comercializa grãos de milho, além do trigo e da soja, assim como insumos com marca própria, chamada Dinastia, e tem como missão gerar resultados ao agronegócio com tecnologia e inovação, possibilitando ganhos sustentáveis à sua cadeia.

Possui uma capacidade de produção de 1 milhão de sacas de 40kg, sendo que, em 2019, teve 83% da produção aprovada para a comercialização, acima dos 75% de aproveitamento que é a média no Rio Grande do Sul.

 

Como funciona a produção de sementes?

A ROOS possui em média 45 cooperantes, que recebem as sementes da empresa para plantar e, posteriormente, colher os grãos.

Os cooperantes são distribuídos estrategicamente em três regiões do RS, levando em conta os fatores climáticos. Todos os produtores de sementes da ROOS obrigatoriamente plantam a semente fornecida pela empresa e são acompanhados por técnicos e agrônomos, do plantio à colheita.

Para garantir a qualidade, opera com um rígido controle, com laudos de vistorias frequentes e documentação no Ministério da Agricultura.

A ROOS atua com sobra de campo. Para obter a produção de um milhão de sacas, são plantados o equivalente a dois milhões, visto que há perdas por fatores climáticos e por conta da incerteza de demanda do consumidor, já que o Rio Grande do Sul é o último estado a colher no país.

A produção de sementes possui diversos fatores de descarte:

  • No campo: devido à sobra ou por não estarem visualmente adequadas,  sementes podem ser descartadas no campo.
  • Na balança: também podem ser descartadas na balança, por análise visual ou após o pré-teste informar que não estão no padrão.
  • Na classificação: podem ser descartadas por impurezas ou por quebras.
  • No beneficiamento: neste processo é descartado todo o grão que fugir do padrão e tamanho visual.
  • No laboratório: após a sementes terem sido produzidas, embaladas e armazenadas, passam por análise de laboratório. Caso não atinjam 88% de germinação e vigor, serão descartadas. Ou seja: a cada 100 sementes, 88 devem ter a possibilidade de nascer.
  • Na venda: caso não seja possível vender toda a produção, as sementes podem ser descartadas.

A ROOS trabalha com 45 variedades de sementes de soja, em duas unidades de beneficiamento de sementes.

 

Porque a ROOS precisou investir em controle e automação de produção, se possui apenas 45 variedades de sementes?

Os 45 tipos de sementes de soja são divididos em dois tamanhos, P e M, para entregar grãos uniformes ao cliente. Caso hajam grãos de diferentes tamanhos, haverão regiões em que serão plantados um número menor de sementes, consequentemente uma colheita menor.

Também são separadas em cinco classes: básica, C1, C2, S1 e S2, classificadas a partir de quantas vezes foram plantadas e embaladas em dois formatos diferentes: paletes de saca de 40kg ou big bag de 1.000kg.

Além destas classificações e divisões, também são divididas em lotes e pilhas com resultados de laboratórios diferentes, gerando valor diferente ao produto, o que dificulta o controle da produção. Por fim, é possível incorporar 25 tipos diferentes de tratamentos.

Para armazenar toda essa variedade e classificação, a ROOS conta com 42 mil metros quadrados de área.

 

Projeto de dimensionamento de equipamentos logísticos

Foi iniciado o projeto de dimensionamento de equipamentos logísticos a partir do mapeamento dos processos, para um melhor entendimento dos fluxos de trabalho, tanto na movimentação de documentos quanto na de matéria-prima.

No vídeo, Diego apresenta algumas imagens de como a empresa ficou após o projeto, com grande limpeza, organização, endereçamento e armazenagem correta.

Após o entendimento dos fluxos, e de dimensionar e organizar de forma adequada os estoques, foi elaborado um planejamento logístico.

A empresa, até então, embora conseguisse entregar, não possuía um planejamento que indicasse para qual cliente e quais produtos seriam entregues a ele. Com o projeto, a ROOS estruturou um planejamento logístico de entrega.

Com tais definições e com o planejamento de entrega, foi possível elaborar o planejamento de produção, desde o beneficiamento, passando pela análise, até o reensaque.

Com os planejamentos logístico e de produção estruturados, a empresa partiu para a automação de controle. Vale ressaltar que automação de mão de obra é diferente de automação de controle dos produtos e movimentações.

Também foi implantada uma automação de limpeza, para que a mão de obra ficasse totalmente focada na produção, além do reposicionamento da equipe.

Para manter o projeto, foram definidos indicadores, além do monitoramento de processos e da disseminação do conceito de planejamento nos líderes informais.

 

Resultados do Projeto

Como a plantação e colheita das sementes da ROOS é sazonal e depende de períodos do ano, é necessário dimensionar corretamente a mão de obra para atender a variação de demanda. Com isso, em 1 ano, foi possível reduzir 13 pessoas fixas e 2 pessoas temporárias.

Mesmo com a redução no quadro de trabalhadores, a empresa produziu e entregou mais, melhor e com custos menores, cobrindo todos os investimentos feitos no projeto em 13 meses.

A ROOS possui equipamentos e empilhadeiras para a movimentação do material dentro dos 42 mil metros quadrados de armazenagem. Na sua produção, contava com 8 empilhadeiras próprias e locava 4, entre agosto e novembro, para o carregamento da produção.

As despesas anuais da empresa com manutenção dos equipamentos giravam em torno de 180 mil reais, além de que sempre havia algum equipamento que acabava ficando parado.

Durante o projeto, foi realizado o rastreamento e a análise da produção de cada empilhadeira, incluindo o tempo de movimentação, de paradas, tempo ligada sem movimentação ou desligada. Com esta análise, foi possível identificar que as empilhadeiras estavam movimentando de 1,33% a 2,43% do tempo.

Após a análise, foi possível determinar a quantidade de empilhadeiras necessárias para cada período do ano, como por exemplo: janeiro, fevereiro, novembro e dezembro são necessárias somente 3 empilhadeiras.

Assim, foram vendidas cinco empilhadeiras gerando 165 mil reais, equivalente a um ano de locação de empilhadeira pantográfica de carregamento.

Foi feito contrato de locação anual com empilhadeiras novas, revisadas, mais econômicas e com central de atendimento de um dia, além de manutenção por conta do locador, trocas e substituições em dois dias. Por fim, o custo passou a ser de prestação de serviços, não tendo mais equipamentos depreciando.

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