03/Nov/20

Manutenção Autônoma como ferramenta para aumento de produtividade

Categoria(S): TPM, Videos • solução(ões): Total Productive Maintenance (TPM)

Confira a apresentação de Gustavo Rocha, consultor associado da Produttare, sobre os objetivos, as etapas e os passos para implementação do pilar de Manutenção Autônoma do Sistema de Gestão Produtiva Total (TPM).

Muitas organizações possuem elevados índices de quebras em máquinas e dificuldades em fazer seus operadores cuidarem de seus equipamentos. A metodologia da Manutenção Autônoma surge para implantar uma nova cultura de zelo dentro da organização, na qual o operador tem um papel fundamental.

A Manutenção Autônoma é o segundo pilar do sistema da metodologia Gestão Produtiva Total (TPM) e o quarto do World Class Manufacturing (WCM), chamado de Workplace Organization. Os dois pilares objetivam trabalhar diretamente no posto de trabalho do qual se busca a sinergia entre a área produtiva e as áreas de apoio.

Este vídeo foi extraído do evento on-line "Manutenção Autônoma como Ferramenta para Aumento de Produtividade". Clique aqui para assistir ao webinar na íntegra.

 

Objetivos da Manutenção Autônoma

A Manutenção Autônoma tem como objetivo desenvolver nos operadores o cuidado com suas máquinas e a capacidade de inspecioná-las e detectar eventuais problemas existentes. Com essa detecção precoce dos problemas (falhas) pode-se gerenciar melhor as causas de paradas e as quebras dos equipamentos.

Com isso, a troca de informação técnica entre a área de manutenção e a operação é essencial para que o trabalhador tenha um conhecimento melhor sobre o equipamento em que está trabalhando, desenvolvendo, assim, a cultura de Manutenção Autônoma da empresa através do lema “Da minha máquina cuido eu.”

Outro grande objetivo deste pilar é melhorar a eficiência dos ativos por meio da promoção do trabalho conjunto e da sinergia entre as áreas da empresa.

 

Principais atividades da Manutenção Autônoma

As principais atividades da Manutenção autônoma são: evitar, medir, prevenir e restaurar a deterioração dos equipamentos da empresa.

Ao manter um equipamento inspecionado e limpo, evita-se a deterioração dele e, consequentemente, é possível reduzir as paradas de manutenção, prevenindo muitos problemas que o equipamento poderia ter. Em equipamentos de usinagem, por exemplo, são analisados todos os pontos da máquina para entender o motivo dos problemas que podem estar acontecendo, tais como vazamentos, contaminações, dificuldades de limpeza etc.

Devido a rotina dos operadores de atendimento na produção, a inspeção e a limpeza do equipamento ficam em um segundo plano. Com isso, muitas vezes acabam se acostumando com pequenos vazamentos, sujidades e contaminações. No entanto, estes pequenos detalhes representam e somam deterioração, desgastes, folgas, sujeiras ou adaptações técnicas que geram paradas corretivas não planejadas.

Vale ressaltar que o operador é o centro da Manutenção Autônoma, sendo o responsável pela mudança de cultura. As demais áreas como PCP, Engenharia, Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Manutenção são as áreas de apoio na qual o operador discute os principais problemas que o equipamento pode apresentar.

 

Método de implementação da Manutenção Autônoma

O método de implementação conta com três grandes etapas:

  1. Diagnóstico: inicia-se com um diagnóstico para entender qual a situação do parque fabril, ou seja, do ambiente produtivo, pois a empresa pode já estar utilizando algumas ferramentas e metodologias que são compatíveis com a Manutenção Autônoma;
  2. Implementação nos pilotos: em seguida é feita a implementação em equipamentos pilotos, para que seja iniciado a mudança de cultura e a aprendizagem;
  3. Replicação: após a implementação nos pilotos e a aprendizagem adquirida, é realizada a replicação nos demais equipamentos da empresa.

 

Etapa 01: Diagnóstico

O objetivo desta etapa é conhecer a realidade da empresa, por meio de conversas com as principais pessoas envolvidas, verificando e fazendo levantamento de dados.

A saída desta etapa é uma apresentação com a situação atual da empresa, identificando as oportunidades de melhorias e crescimento da metodologia.

 

Etapa 02: Implementação nos pilotos

Para o sucesso da metodologia TPM, é necessário que seja estabelecido uma governança. Sugere-se dois comitês: um comitê diretivo e um comitê implementador.

O pilar de Manutenção Autônoma terá um líder no comitê implementador, com a responsabilidade de fazer a interface do pilar com o comitê diretivo, além de adaptar e implantar o método na organização.

Abaixo do líder de Manutenção Autônoma estão os implementadores, que são times multifuncionais, de diversas áreas da empresa, que irão implementar e perpetuar a Manutenção Autônoma.

 

Etapa 03: Replicação

Muitas vezes o insucesso da implantação da Manutenção Autônoma tem relação com a tentativa de implementar a metodologia em todas as máquinas ao mesmo tempo.

Mas quando a implementação se inicia por equipamentos pilotos, ocorre um processo de aprendizagem, fazendo com que as adaptações no método sejam feitas antes da replicação e que estas não sobrecarreguem as áreas de apoio.

Sugere-se que seja dividido os equipamentos em quatro partes, sendo uma como piloto e as outras três como replicação.

 

Passos para implementação da Manutenção Autônoma

O pilar de Manutenção Autônoma possui sete passos de implementação. Contudo, foi reduzido para três, focando nos primeiros três passos, mas também trazendo as boas práticas dos passos quatro ao sete:

  1. Limpeza e padrões provisórios: este passo consiste em ter um maior conhecimento do equipamento, levantando os pontos de sujidade e contaminação, eliminando as causas de deterioração, compreendendo o que deve ser feito para manter as boas condições e, assim, agilizando os reparos dos equipamentos. Para a gestão visual, neste passo são utilizadas etiquetas em quatro cores: azul, anomalias resolvidas pelo operador; vermelha, somente resolvidas pela área técnica, ou seja, manutenção; amarela, oportunidades de melhorias; e verde, identificação dos pontos de lubrificação.
  2. Melhorias no equipamento: ao final do passo um é gerado um padrão provisório de limpeza e inspeção. Com isso, no passo dois são identificadas as melhorias neste padrão, reduzindo os tempos de limpeza e inspeção.
  3. Padrões definitivos e lubrificação: neste passo é gerado o padrão definitivo de limpeza e lubrificação.

 

Auditorias da Manutenção Autônoma

Para manter todo o sistema do pilar de Manutenção Autônoma funcionando são realizadas auditorias. Há duas auditorias previstas: uma delas é durante o passo que tem como objetivo verificar o avanço da implementação dentro do equipamento em questão. Já a outra auditoria objetiva verificar se o equipamento está apto a passar de passo.

Sugere-se duas ou três auditorias durante a implantação e uma ao final de cada passo, e auditorias periódicas após a certificação do equipamento e do time de Manutenção Autônoma, sendo realizadas pelo comitê diretivo, comitê implementador e o time. Nesta auditoria é verificado o estado do equipamento e, principalmente, é feita uma conversa com os operadores, a fim de verificar como está o entendimento deles dentro da metodologia.



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