03/Set/20

Total Productive Management (TPM): Caso RHI Magnesita Brumado

Categoria(S): TPM, Videos

A RHI Magnesita é uma empresa de refratários que possui unidades de mineração. A metodologia TPM foi aplicada nestas unidades, trazendo grandes resultados na produtividade e custos da organização.

Neste vídeo, Paulo Guilherme Amorim, engenheiro de manutenção e responsável pelo programa Total Productive Management (TPM) na RHI Magnesita de Brumado na Bahia, apresenta o processo de implantação da TPM e seus resultados naquela unidade de mineração.

A TPM muitas vezes é relacionada a somente manutenção de equipamentos. Contudo, de fato, trata-se de uma abordagem mais ampla, podendo alcançar a abrangência de um Sistema de Gestão de Operações completo. No caso aqui relatado, são apresentados alguns resultados referentes à implantação dos pilares iniciais de um programa mais amplo de TPM.

Este vídeo foi extraído do evento online "Como a RHI Magnesita alavancou a eficiência em 20% nos postos de trabalho críticos". Clique aqui para assistir o webinar na íntegra.

 

A empresa

A RHI Magnesita é uma empresa líder no mercado global em fabricação de refratários. No Brasil, possui unidades de fabricação e unidades de mineração na Bahia e em Minas Gerais. O caso explorado no vídeo trata da unidade de Brumado, Bahia, onde estão localizadas duas de suas principais minas: Pomba e Pedra Preta.

No Brasil, a empresa surgiu em 1939 como Magnesita, e a primeira mina explorada foi a Pedra Preta, a partir de 1943. Já a segunda mina, Pomba, que possui um minério um pouco mais puro, começou a ser explorada em 1978.

A empresa contou com apoio de consultoria da Produttare para implantação da TPM nas unidades de  Brumado durante 18 meses, a partir de 2017.

 

Implementação da TPM

A metodologia TPM conta, na sua plenitude, com oito pilares. A RHI Magnesita optou por iniciar a implantação por três pilares: Melhoria focalizada, manutenção autônoma e manutenção planejada.

Para o sucesso da implantação da TPM a empresa identificou três pontos chaves: cultura da organização, governança da metodologia e incentivo da direção.

Visando o sucesso, foi definido um comitê diretivo e um comitê de implantação, com os seguintes objetivos:

  • Redução de acidentes de trabalho;
  • Aumento de produtividade;
  • Aumento do envolvimento dos colaboradores;
  • Redução de avarias da máquina;
  • Redução de pequenas paradas;
  • Redução dos custos de produção e manutenção;
  • Zero perdas;
  • Zero defeitos;
  • Redução de MRO (manutenção, reparos e operações).

O método de trabalho para execução do projeto de implantação foi constituído por três passos:

  1. Primeiro passo: realização de diagnósticos dos três pilares que seriam implementados;
  2. Segundo passo: capacitação em cada pilar, inicialmente treinamento teórico e posteriormente aplicação prática dos métodos nos postos de trabalho do “dia D”;
  3. Terceiro passo: implantação de um pilar por vez.

 

Resultados alcançados

Após a implantação da TPM a empresa evidenciou um conjunto bastante amplo de melhorias qualitativas, como, por exemplo, em limpeza e organização nos postos de trabalho, na padronização das oficinas de manutenção, maior segurança, aumento do envolvimento dos colaboradores, fortalecimento da nova estrutura de manutenção, entre outros. No vídeo, apresenta-se também a situação antes e depois da atividade de etiquetagem de diversos equipamentos tais como aquecedor de óleo, exaustor, briquetadeiras e torno mecânico.

Os principais resultados quantitativos obtidos na implantação foram:

  • Grandes ganhos com OEE e TEEP, como apresentado a seguir:

Equipamento

Antes TPM

Depois TPM

FVC

65,34%

79,45%

Linha de moagem primária

82,1%

87,8%

Britagem primária

45,02%

79,2%

Linha de briquetagem 3 DBM30

70,91%

92,45%

  • Inclusão de 194 equipamentos no programa TPM;
  • Padronizações das melhorias via LUP’s (182 no total);
  • 93% de retirada das etiquetas em 2019 (3921 colocadas x 3613 retiradas);
  • Aderência de 85% da programação de manutenção.

 

Como chegar a estes resultados?

O caso apresentado no vídeo também é útil para ilustrar os principais passos em um processo de implantação de pilares da TPM. 

Antes de iniciar qualquer trabalho de melhoria, é necessário entender como a empresa está por meio de um diagnóstico. O próximo passo envolve a definição clara dos objetivos e das metas a serem alcançadas. 

Após esse entendimento, é de grande importância que seja feito um nivelamento conceitual, bem como o planejamento da trajetória de mudança, incluindo a estruturação de uma sistemática de governança para a gestão da mudança.

Já a implantação de cada pilar é estruturada em seis passos:

  1. Diagnóstico do pilar
  2. Definições preliminares
  3. Treinamentos
  4. Coleta de dados
  5. Monitoramento e controle
  6. Melhoria contínua do pilar

 

1- Diagnóstico do pilar

O primeiro passo diz respeito ao diagnóstico do pilar, gerando em gráficos os resultados das avaliações da gestão, método, capacitação, indicadores, rotina e resultados.

 

2- Definições preliminares

As definições preliminares consistem em determinar uma equipe de governança, os postos de trabalhos e gargalos a serem trabalhados e os tempos de ciclos a serem considerados.

A governança é estabelecida a partir da constituição de uma equipe multidisciplinar para que se estabeleça uma cultura independente da rotatividade de pessoas.

Já os postos de trabalhos são definidos e alinhados entre os três pilares, escolhendo-se os equipamentos pilotos de maior criticidade para o processo.

A definição dos tempos de ciclo se faz a partir de coleta de dados, históricos de produção, históricos de OEE/TEEP, para embasar a definição de metas.

 

3- Treinamentos

Este passo consiste em realizar treinamento para toda a equipe de governança, assim como para operadores, técnicos de manutenção e outros colaboradores envolvidos no programa.

Os treinamentos devem ser de forma vertical e horizontal, para que seja esclarecida a metodologia e explanadas as responsabilidades de cada um no processo de mudança.

 

4- Coleta de Dados

Registra-se em planilhas os apontamento de produção, paradas e eventos de qualidade, preferencialmente com envolvimento dos operadores.

Para tanto, via de regra realiza-se treinamento com grupo focal, abordando conceitos básicos de TPM, Gestão do Posto de Trabalho (GPT), IROG (OEE/TEEP) e análise de dados.

Após os apontamentos, realiza-se a análise dos indicadores de eficiência através de paretos e tendências. Os indicadores de eficiência são estratificados entre a disponibilidade física, performance operacional e índice de qualidade dos equipamentos.

No caso descrito no vídeo, pode-se observar que, em 2018, após a implantação da TPM, os problemas de quebra já não estavam como principal problema nos paretos, o que ocorria antes do projeto. 

 

5- Monitoramento e Controle

Para o sucesso da implantação da metodologia é necessário que seja seguida uma rotina de gestão com reuniões diárias, semanais, mensais e anuais.

Na reunião diária são analisadas as ocorrências recentes que tenham prejudicado a performance. Na reunião semanal é feito o acompanhamento dos planos de ação de melhorias. A reunião mensal é realizada com o comitê diretivo e com os líderes dos pilares implementados. Por fim, a reunião anual é realizada para revisão das metas de performance, além de definições estratégicas como a avaliação de gargalos e implementação de novos equipamentos na metodologia.

 

6- Melhoria Contínua do Pilar

A gestão à vista é muito importante para auxiliar na melhoria contínua dos pilares, visto que permite análise periódica.

Para que a gestão à vista seja eficaz, são realizados treinamentos constantes com os operadores para entendimento dos painéis e indicadores. Os painéis são rotineiramente atualizados e busca-se sempre a melhoria deles.

Também é definido um calendário para auditorias do método, a fim de verificar a sua implantação e utilização. As auditorias internas são realizadas mensalmente;  trimestralmente são realizadas auditorias cruzadas em outras plantas.

A padronização de procedimentos e formulários é muito importante para o bom funcionamento e replicação dos pilares.

E, por fim, define-se um programa de treinamentos sobre a metodologia TPM e, principalmente, sobre cada pilar implementado, para que a nova cultura permaneça.

 

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