Os desafios para um Rio Grande próspero

Publicada em 19/Ago/20

O estado precisa encontrar uma saída coordenada entre a melhoria das finanças públicas e o desenvolvimento econômico e social.

Chegamos ao atual estágio de desenvolvimento a partir da convergência, nas últimas décadas, de esforços de distintos governos, empresas, universidades e centros de pesquisa tecnológicos. Avançamos na exportação, com soja em grão (26,05%), fumo em folhas (8,74%), carne de frango (6,14%), polímeros (5,82%) e automóveis de passageiros (3,80%), além de celulose e papel e calçados. Mas também deixamos de investir no inexplorado potencial energético do RS, em particular eólico e carvão.

Entre as notícias relevantes, temos que o RS será provavelmente o primeiro Estado brasileiro a registrar um decréscimo absoluto em sua população, isto a partir do ano de 2028. Neste ano, não só a população poderá diminuir, como estará mais velha e a população economicamente ativa já se encontrará em processo de redução. Também um mercado interno reduzido comparado ao de outros Estados com expressão econômica no cenário nacional, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, desafia os gaúchos. Assim como estar geograficamente longe dos principais centros consumidores do Brasil, embora no centro do Mercosul.

A repetição anual de déficits públicos, agravada recentemente em face da recessão que se abateu sobre a economia brasileira a partir de 2015, contrasta com uma base produtiva diversificada e rica, construída ao longo do século XX e legada ao século XXI, com significativa capacidade de exportação, como forma de fugir às limitações de tamanho do seu mercado interno.

A resposta a tamanho desafio recusa narrativas tradicionais - seja o ataque ao déficit público e a austeridade daí derivada – o que faria ressurgir, mais cedo ou mais tarde, o desenvolvimento. O estado precisa encontrar uma saída coordenada entre a melhoria das finanças públicas e o desenvolvimento econômico e social. Para isto, o ponto básico é criar e manter um ambiente propício ao investimento produtivo, levando em conta as dificuldades estruturais e conjunturais que enfrenta o Brasil. Para voltar a crescer e se desenvolver é necessário um mínimo de iniciativas. Continuar investindo na economia da cooperação – redes de cooperação, arranjos produtivos locais (APLs) e sistema de cooperativas. Fortalecer o papel da exportação, do desenvolvimento local e desenvolvimento regional, da infraestrutura (porto, aeroportos, banda larga, 5G, infovias), dos 2,1 mil km de linhas de transmissão necessários para o escoamento energético do RS, do carvão mineral e da irrigação. Temas que devem estar na agenda das lideranças responsáveis do Estado.

O desenvolvimento tecnológico e da inovação merece tratamento especial em face de sua importância estratégica e deve estar subordinado à política de desenvolvimento, inclusive quanto à estrutura de governança, concentrando os programas setoriais das políticas públicas. Esse é o caminho. Duro, árduo, mas inescapável se quisermos a prosperidade para o conjunto da população do RS.


Junico Antunes, CEO da Produttare

*Publicado originalmente no jornal Correio do Povo em 03.08.2020

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